Na tarde de ontem, logo após a divulgação de que a Novell finalmente será vendida, mas 882 patentes dela irão parar nas mãos da Microsoft, as máquinas de boatos começaram a girar rapidamente.
Entre as “análises” que vi, encontrei gente defendendo posições como:
- é a prova da inviabilidade mercantil do código aberto, porque o SUSE não conseguiu salvar a existência da Novell como empresa independente;
- é uma evidência da viabilidade mercantil do código aberto, porque a divisão SUSE é há um bom tempo a mais lucrativa da Novell, a ponto de a empresa que a comprou pretender tocá-la de forma independente;
- as patentes misteriosas da Novell que o fundo liderado pela Microsoft comprou obviamente se referem ao Linux e serão usadas para tirar do mercado o Android, a Canonical, a Oracle, a Red Hat e outros menos cotados;
- as patentes misteriosas da Novell que o fundo liderado pela Microsoft comprou obviamente são as do WordPerfect e se referem ao litígio antigo entre Microsoft e Novell por processamento de texto, pois se fossem uma “bala de prata” contra o Linux, teriam custado muito mais.
Certamente análises melhor informadas e baseadas em outros fatos que venham a ser divulgados, e não em mero palpite, ainda surgirão.
Enquanto isso não acontece, lamento ver a nuvem de FUD sendo propagada pelos próprios defensores do Linux, exatamente como seria o interesse de quem comprou patentes e não disse do que são. Como uma fumaça gordurosa, esse tipo de nuvem não se dissipa tão facilmente como surge.
Vale lembrar que a natureza da propriedade intelectual que a Novell tanto se esforça para divulgar que tem sobre código do Unix é de direito autoral, e não de patentes – e que mesmo com muito esforço, anos de tentativas e uma infinidade de intermediários, quem tentou provar que o Linux infringe este direito autoral não conseguiu.
Assim sendo, minha sugestão é de uma cautelosa calma enquanto os fatos surgem, pois a reação estabanada e todo esforço desperdiçado sem razão é ajuda gratuita para o adversário. (via itworld.com)

